Ao longo dos últimos anos, muito se discutiu sobre quais fatores influenciam o crescimento constante das vendas de consórcio no Brasil. Estudos conduzidos pela assessoria econômica da ABAC apontam que, embora a taxa básica de juros (Selic) seja frequentemente mencionada, sua influência sobre as comercializações é relativamente baixa.
Segundo o economista da ABAC, Luiz Antonio Barbagallo, as variações na Selic demonstram pouca correlação com o desempenho do setor. Um exemplo claro foi o período da pandemia, quando os juros estavam em patamares baixos e, ainda assim, as adesões ao consórcio apresentaram excelente desempenho.
Por outro lado, o levantamento identificou forte correlação entre o crescimento das vendas e a renda per capita da população brasileira. A análise estatística, considerando dados da PNAD (IBGE) entre 2009 e 2024, mostrou uma correlação de 92% entre aumento da renda e crescimento das comercializações de cotas. Isso reforça que a capacidade de planejamento financeiro está diretamente ligada à decisão de aderir ao consórcio.
Outro fator analisado foi a taxa de desemprego. Apesar de sua influência sobre a renda agregada da economia, o estudo apontou uma correlação negativa relativamente baixa (−17,7%) com as vendas de consórcio. Mesmo em períodos de desemprego elevado, como durante a pandemia, muitos consumidores que mantiveram sua renda optaram por investir no consórcio como forma de planejamento e realização de objetivos futuros.
Os dados mostram que o consórcio tem demonstrado resiliência ao longo das últimas duas décadas, registrando desempenho negativo em apenas quatro anos nesse período. A principal conclusão é clara: a renda e o planejamento financeiro são os pilares fundamentais que sustentam o crescimento do setor.
Fonte: ABAC – Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios.


